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Em audiência pública, Dalirio questiona ao presidente do Banco Central, as altas taxas bancárias

10 de Abril de 2018 Notícias

Segundo o presidente do BC, algumas medidas dependem do Poder Legislativo, como a aprovação do projeto que trata do cadastro positivo de consumidores, que é de autoria do senador Dalirio Beber

O senador Dalirio Beber (PSDB-SC) participou nesta terça-feira (10) de audiência pública, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com a presença do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn.
De acordo com Goldfajn, o índice de inflação, medido pelo IPCA, deve fechar em 3,8% em 2018. São esperados 4,1% para 2019 e 4% para 2020.
Para o senador Dalirio, a apresentação de Goldfajn foi bastante positiva, mas o que se vê são ainda, são os juros altos que preocupam a sociedade brasileira.
“A sua apresentação nos dá esperança de recuperação da economia, mas apesar de vermos a queda da Taxa Selic e da Inflação, o sistema financeiro, concentrado em torno de cinco ou seis bancos não tem ido ao encontro daquilo que o Banco Central tem feito com relação à redução taxa Selic. O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, por exemplo, como agentes do governo, não deveriam reduzir suas altas taxas praticadas?”, questionou Dalirio. Outros senadores também cobraram ações do Banco Central para que o brasileiro finalmente sinta no bolso os benefícios de uma conjuntura econômica mais favorável.
O presidente do Banco Central afirmou que as taxas de juros bancários estão com viés de queda, assim como o spread, que é a diferença entre a remuneração paga pelo banco ao aplicador e o quanto a instituição cobra para emprestar o mesmo dinheiro. Todavia, o ritmo não é o adequado”.
“Isso não significa que estamos satisfeitos com a velocidade de queda. Queremos redução mais rápida para que tenhamos logo crédito mais barato para famílias e empresas. Esse é um assunto da maior importância e é uma preocupação do Banco Central”, disse Goldfajn.
Conforme o presidente do BC, o ambiente doméstico da economia está ancorado em três momentos positivos: a queda de juros, a redução da inflação e a recuperação consistente da atividade econômica.

Taxa Selic
Ilan Goldfajn avaliou que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover mais um corte na taxa básica de juros (Selic), que está em 6,5%, menor patamar histórico, para depois estabilizar o índice.
“Para reuniões além da próxima [prevista para maio], salvo mudanças adicionais relevantes, o comitê vê como adequada a interrupção do corte de juros. Os próximos vão depender da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, informou.

Autonomia
O presidente do Banco Central defendeu a autonomia da instituição. Segundo ele, é algo que já existe na prática, mas que precisa ser normatizada. Caso aprovada, para Ilan, representaria um avanço importante para o Brasil, resultando na queda do risco país e do risco estrutural da economia. “Temos que criar instituições que dependem menos de pessoas e mais de regras”, argumentou.

Concorrência
Ainda segundo Ilan, o BC tem se empenhado em ações para baixar o custo do crédito, atacando de forma estrutural as causas que tornam alto o custo do alto no país, como altos custos operacionais dos bancos, falta de boas garantias, subsídios cruzados, altos compulsórios, falta de estímulo à concorrência, entre outros fatores.
“Trabalhando com serenidade vamos avançar [...] Não há atalhos. Não adianta achar que problemas de décadas serão resolvidos de uma hora para outra”, disse Goldfaujn.
Ainda segundo o presidente do BC, algumas medidas dependem do Poder Legislativo, como a aprovação do projeto que trata do cadastro positivo de consumidores, que é de autoria do senador Dalirio Beber. O texto já passou pelo Senado e está para ser analisado pela Câmara dos Deputados