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O Luto do Desemprego

22 de Janeiro de 2016 Artigos

Quase um em cada cinco novos desempregados do mundo em 2016 e 2017 virá do Brasil.

A estimativa é da Organização Mundial do Trabalho (OIT), em seu mais recente relatório sobre empregabilidade, divulgado nesta terça-feira.

O nosso país é citado diversas vezes no documento como exemplo de mercado de trabalho em apuros. Segundo a OIT, economias emergentes como a brasileira serão as que mais sofrerão com o desemprego em 2016.
Em meio à crise econômica e à recessão, a sangria no mercado de trabalho do Brasil já foi sentida em 2015: nos 12 meses até novembro, foram perdidas cerca de 1,5 milhão de vagas formais no país. Para este ano, a previsão são mais 1,5 milhão de desempregados.

A China, que acaba de divulgar seu menor índice de crescimento em 25 anos, por exemplo, terá 800 mil desempregados a mais nos próximos dois anos. A desaceleração do país - que é um grande exportador e também grande comprador de matéria-prima, inclusive do Brasil - é um dos principais fatores por trás do recuo no emprego global, segundo a OIT.
A entidade chama a atenção também para a possibilidade de uma acentuação do desemprego, caso países emergentes como o Brasil, não adotem medidas de austeridade.
Santa Catarina, estado que sempre foi exemplo de empreendedorismo, e de uma economia forte, apareceu essa semana, na estatística oficial do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em posição negativa em relação aos empregos, quebrando uma tendência de vários anos, quando sempre se destacou até em números absolutos com o maior estado empregador do Brasil. O déficit de empregos em 2015 chegou a 58.599 vagas.
Também nessa semana, duas grandes empresas tradicionais de Blumenau, fecharam unidades e dispensaram colaboradores.
No início desse mês e final do mês de dezembro, também fecharam as portas em Blumenau, duas grandes lojas de cadeias nacionais.

Não existem expectativas positivas!
O mais trágico dessas péssimas notícias e números, é o fato de que o desemprego não é um problema apenas de estatísticas, mas de sofrimento
físico psicológico das pessoas. É uma tragédia pessoal e social mordaz. Psicólogos trabalhistas têm relacionado o desemprego ao luto; a perda do trabalho sendo semelhante, em termos, à perda de um parente ou de um amigo. Ao ouvirem que estão demitidas, algumas pessoas entram em choque: ficam iradas, sentem-se rejeitadas e rebaixadas. Sua auto imagem sofre um golpe cruel que resulta em conflito na vida familiar, principalmente se não podem mais sustentar seus dependentes.
Depois disto, vêm a depressão e o pessimismo: as economias vão-se acabando e a perspectiva de vida se torna cada vez mais sombria.
Finalmente, chega o fatalismo: após permanecerem desempregadas por muitos meses e de se frustrarem com as inúmeras respostas negativas aos pedidos de emprego, a energia e a esperança dessas pessoas declinam, dando lugar ao espírito de amargura e ao sentimento de total desmoralização. O desemprego é, portanto, um pesadelo que vem tirando o sono de muitas famílias no Brasil.
Mais tristes são efeitos das políticas inconsistentes e desastrosas do governo federal.
A população brasileira está envelhecendo, reduzindo a parcela dos que trabalham em relação aos que não trabalham. Há ainda a expansão do prazo e o valor do seguro-desemprego. Nos últimos dez anos, o desemprego caiu de 13% para 5%, mas os gastos com abono e seguro-desemprego subiram de R$ 13 bilhões para mais de R$ 45 bilhões. Quem recebe seguro-desemprego e não busca emprego enquanto recebe o benefício não é considerado desempregado na estatística.
Nos últimos três anos a situação só piora, mas fortemente em 2015, o mercado de trabalho piorou bastante, mas a taxa de desemprego não refletiu isso. Há menos gente trabalhando e quem procura emprego demora mais para encontrar.
É preciso criar condições urgentes para que o País volte a gerar empregos tanto para quem perdeu sua colocação no mercado de trabalho, tanto para quem está em busca da sua primeira oportunidade.
Esse será o maior desafio dos próximos anos e só será alcançado com uma política econômica séria e eficaz, comprometida com o Brasil e com os brasileiros.

Dalirio Beber – Senador da República