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Projeto de relatoria do senador Dalirio, que simplifica certificação de hospitais filantrópicos, é aprovado na CAS

07 de Março de 2018 Notícias

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 187/2017, de autoria do Poder Executivo e relatoria do senador Dalirio Beber (PSDB-SC), que altera as regras para obtenção e renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), simplificando exigências, foi aprovado nesta quarta-feira (7), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A proposta agora segue para votação, no Plenário do Senado Federal.
Com a mudança proposta, a comprovação da prestação de serviços das filantrópicas ao Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ser feita com uma declaração do gestor local (municipal ou estadual) do SUS, flexibilizando uma exigência documental que não consegue ser cumprida por 45% das entidades, apesar de efetivamente auxiliarem o sistema público de saúde.
“Sem a aprovação desse projeto, teremos um número de mais de 400 hospitais beneficentes sem poder mais operar pelo SUS, porque estão impedidos de ter a renovação do Cebas, devido a prestação dos serviços deles ao SUS não ter sido feito com base num convênio ou contrato. Então, se aprovada essa Lei, vai valer uma declaração do gestor municipal ou estadual do SUS, que atesta que a prestação de contas existiu de fato, sem o instrumento formal, valendo apenas para a regularização. Depois, será necessário contrato/convênio com o instrumento congênito”, explica o relator, senador Dalirio Beber.
Cebas
A certificação das filantrópicas, regulada pela Lei 12.101/2009, é a que reconhece uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, como sendo de assistência social e permite a elas a isenção de pagamentos das contribuições para a seguridade social. Com o Cebas, as entidades podem celebrar convênios com o poder público, obter subvenções sociais (repasses para cobrir despesas de custeio), e até obter desconto na conta de energia elétrica.
Para obter a certificação, a entidade deve comprovar a prestação de serviços ao SUS no percentual mínimo de 60%, apresentando o contrato, convênio ou instrumento semelhante firmado com o SUS. Mas algumas filantrópicas enfrentam dificuldades para cumprir esse requisito legal e, por isso, têm a certificação cancelada ou indeferida, mesmo quando há efetiva prestação de serviços e remuneração por eles.
Com a mudança inserida no projeto – que tem prazo de vigência determinada – a declaração do gestor do SUS é suficiente apenas para essa comprovação.
O projeto permite a comprovação nos processos de concessão e renovação de certificação com requerimentos protocolados até 31 de dezembro de 2018, com exercício de análise até 2017. “A declaração não será aceita nos processos cujos requerimentos sejam protocolados a partir de 1º de janeiro de 2019”, diz o texto do relatório.
Dalirio ainda defendeu o encaminhamento urgente do projeto à apreciação do Plenário.
“Mais de 50% dos leitos hospitalares que estão disponibilizados ao SUS, são de hospitais filantrópicos. Em face do papel relevante desempenhado pelo setor beneficente na assistência à saúde, e das consequências danosas que o indeferimento da certificação de entidades beneficentes efetivamente atuantes no SUS trará para a garantia do direito constitucional à saúde, acreditamos que o projeto é meritório, deve prosperar e receber a apreciação mais célere possível”, justificou o senador.

Dependentes químicos
A comprovação via declaração do gestor do SUS valerá inclusive para as instituições que prestem serviços de atenção em regime residencial e transitório a dependentes químicos, incluídas as comunidades terapêuticas, com ou sem contraprestação do usuário dos serviços.
Essa possibilidade valerá para os pedidos protocolados até 31 de dezembro de 2018, incluindo os processos atualmente tramitando no Ministério da Saúde e aqueles com pendência de decisão na data de publicação da futura lei.
Além do gestor do SUS, também o órgão do sistema nacional de políticas de drogas poderá assinar o contrato com as entidades beneficentes da área de saúde atuantes no atendimento a dependentes químicos.
O projeto também contém dispositivo caracterizando como ato de improbidade administrativa do gestor do SUS a transferência de recursos às entidades sem celebração prévia de contrato, convênio ou instrumento congênere.
Para as situações futuras, o projeto de lei determina que, no caso dos serviços prestados sem contrato em situações passíveis de indeferimento ou cancelamento da certificação, o Ministério da Saúde deverá informar os órgãos de controle dos indícios da irregularidade praticada pelo gestor do SUS.
Cirurgias
A exposição de motivos do Executivo destaca que a rede filantrópica engloba um universo de 1.708 hospitais que prestam serviços para o SUS, sendo responsável por 36,86% dos leitos disponíveis, por 42% das internações hospitalares e por 7,35% dos atendimentos ambulatoriais realizados na saúde pública, equivalendo, portanto, a 49,35% do total de atendimentos ao SUS.
Em 927 municípios, a assistência hospitalar é realizada unicamente por um hospital beneficente, e é o setor filantrópico que executa o maior quantitativo de cirurgias oncológicas, cardíacas, neurológicas, transplantes e outros de alta complexidade, atingindo um percentual total de 59,35% das internações de alta complexidade no SUS.